Inacreditável. Inexplicável. Frustrante.No programa eleitoral desta quarta-feira, a campanha de Álvaro Dias não colocou sequer uma imagem da avassaladora carreata e do comício realizados na segunda-feira, ao lado da direita do Rio Grande do Norte.
Justamente a direita que, até então, ainda não havia demonstrado uma mobilização dessa dimensão nesta campanha. Quando finalmente vai às ruas e protagoniza uma movimentação impressionante, capaz de gerar imagens fortes e repercussão política, o que faz a campanha de Álvaro?
Não mostra.
Dois dias depois do evento, com o assunto ainda quente e a repercussão viva, as imagens simplesmente ficaram fora do programa eleitoral.
É difícil entender.
No próprio evento, o discurso de Flávio falou diversas vezes em “virada” — uma mensagem que poderia ser perfeitamente incorporada à narrativa eleitoral de Álvaro. O candidato, inclusive, voltou a utilizar o “Vamos endireitar o RN”, aproximando novamente sua comunicação do eleitorado de direita.
Mas, num lapso difícil de explicar, a campanha não aproveitou o momento.Vai usar quando? Quando as imagens já tiverem esfriado? Quando a repercussão tiver passado?
Campanha eleitoral também é timing. É saber aproveitar o momento em que um fato político está acontecendo, repercutindo e sendo comentado.
E não parece existir uma justificativa técnica: o programa do Coronel Hélio utilizou imagens da mobilização, mostrando que havia tempo para trabalhar o material e colocá-lo no ar já nesta quarta-feira.
Muita gente que torce por Álvaro o enxerga como o candidato mais preparado, como uma possibilidade de mudança segura para o Rio Grande do Norte e como alguém que pode realizar de verdade, sem precisar fantasiar transformações que não aconteceram — como, na nossa avaliação, ocorreu aqui em Mossoró.
Mas justamente por isso a campanha precisa ter noção de timing político.
Uma mobilização daquela dimensão entrega à comunicação eleitoral algo que nenhuma produção de estúdio consegue fabricar: gente, rua, entusiasmo e sensação de movimento.
Talvez ainda haja tempo para aproveitar esse material. Talvez.
Mas o timing ideal era nesta quarta-feira, quando o assunto ainda estava fervendo.
Perder uma oportunidade dessas, em plena campanha, é difícil de compreender.
Inacreditável. Só isso.