O pensamento de Platão intriga, instiga e direciona a um aprendizado que não cessa. Para o teórico da Filosofia Clássica, a cidade poderia ser dividida em três esferas, as quais ele denomina de medalhas: bronze, prata e ouro. Por séculos esta divisão marcou a vida de muita gente, a citar o que se viu na Índia, com as castas. Ou, ainda, com o modelo social que ainda segue em vigor no mundo inteiro: ganha mais quem tem mais.
A formação da sociedade na visão platônica, diga-se de passagem, requer olhar aprofundado para que não se entre em parafuso filosófico. É bom levar em consideração que tudo o que foi escrito pelo filósofo se deu no século IV antes de Cristo. Portanto, muito tempo se passou e muita coisa mudou. Mas algumas permanecem.
Antes de mais nada é preciso ressaltar que a educação tem papel importante no pensamento de Platão. Tanto que até hoje a divisão em termos de conhecimento, de assuntos e de idade, segue. Não como ele pensou na época, mas, de alguma maneira, ele está presente.
A começar pela idade em que a criança deveria se voltar para a educação, passando pela formação da segurança da cidade, mão-de-obra e governabilidade social. O filósofo entende que é preciso começar cedo, por volta dos 6 anos de idade. Nesse percurso, a criança vai, efetivamente, ser conduzida pela mão rumo ao conhecimento.
E precisa cumprir algumas etapas para que avance. É aí que entram as medalhas. Primeiramente fica-se na de bronze, na qual o cidadão permanece por 25 anos, passando para a de prata (mais 25 anos) e vai para a de ouro (após 25 anos). Com isso, tem-se uma idade específica para que se adquira a racionalidade necessária para que se torne um sábio e pense na coletividade. Tem ligação com o modelo educacional vigente no Brasil. Por aqui divide-se em anos/série, do Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior.
Platão também apresenta uma analogia em torno de almas para o funcionamento da cidade. E ele elenca três tipos: Alma Concupiscente, Alma Irascível e Alma Racional. A primeira se volta para o trabalho manual, artesanato e escravos. Em outras palavras, quem não nasceu com algum poder econômico estaria fadado ao trabalho escravo ou manual. No popular, nasceu para trabalhar e garantir mais riqueza a quem já tem muito.
A segunda alma se volta para quem faz a segurança da cidade, para os jovens. Nesta alma, as pessoas agem pela emoção, seja envolvendo a força, coragem e a virilidade, bem como dos amores, paixões. Existiria uma entrega sem comedimento. Tanto que, no caso do Brasil, é nesta faixa etária (17, 18 anos) que os jovens do sexo masculino são obrigados ao alistamento militar. Vão fazer a segurança nacional.
A terceira e última alma, a Racional, envolve a administração da pólis. Somente um sábio terá condições de fazer a coisa certa na gestão social, direcionando atenção para a coletividade e não se deixar levar pelos desejos e vontades.
Esta divisão, de alguma maneira, está presente no Brasil, quando existe idade mínima para ser vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, senador e presidente.